O que eu testei nos 2.486 pregões do Ibovespa?
A base é simples e vale detalhar, porque estudo sem base declarada é opinião com cara de ciência. Usei 2.486 pregões do Ibovespa, de 16/08/2016 a 20/08/2026 — dez anos de série extraída do MetaTrader 5. As composições dos índices setoriais vieram da API oficial da B3, em 21/08/2026. Rodei tudo com análise quantitativa e inteligência artificial, e cada teste de significância leva correção de Bonferroni pelo número de células examinadas (você vai entender o que isso é em dois minutos).
O que entrou no varredor: doze meses, cinco semanas do mês, 58 células cruzadas de semana × mês, 52 semanas do ano, 31 dias do mês, cinco dias da semana e onze índices setoriais. Somando, mais de 130 hipóteses.
Resultado antecipado, porque não gosto de suspense em texto técnico: duas sobrevivem. A terça-feira e o mini índice antecipando o à vista em um minuto. Todo o resto é ruído bem-vestido.
A resposta sobre calendário não está em livro de análise técnica nem em post de guru. Está na base de dados do próprio ativo. Vamos a ela — mas primeiro os três conceitos, senão você lê os números e tira a conclusão errada.
O que é correlação e por que 0,999 não é sinal?
Correlação é um número entre −1 e +1 que mede se dois ativos andam juntos. Em +1, sempre que um sobe o outro sobe, na mesma proporção relativa. Em −1, andam sempre em direções opostas. Em 0, não há relação nenhuma: saber o que um fez não te diz nada sobre o outro.
Na prática do pregão: no meu estudo, o IBXX marcou 0,999 de correlação com o Ibovespa e o MLCX, 0,996. Isso não é "achado", é definição — são o Ibovespa com outro nome, recortes das mesmas ações grandes. Já o IMAT, de Materiais Básicos, ficou em 0,667, a menor de todas. Ainda é alta em termos absolutos, mas 0,667 significa que existe uma parte grande do movimento do IMAT que o Ibovespa não explica. Faz sentido: ali dentro estão VALE3, GGBR4, SUZB3, que respondem a China e dólar antes de responder ao humor da bolsa brasileira.
E aqui está a frase que você precisa levar deste artigo: correlação alta não é sinal, é redundância. Dois ativos que andam juntos não te dão duas informações. Te dão uma informação, contada duas vezes. Quem monta "confirmação" olhando índice, setorial de large caps e o mesmo índice em outro gráfico está se confirmando com o próprio eco.
O que é beta e por que ele não é a mesma coisa que correlação?
Confundir os dois é o erro mais comum de quem começa a olhar dado. Correlação mede se dois ativos andam juntos. Beta mede o quanto um anda quando o outro anda 1%.
Conceitualmente: um setorial pode ter correlação alta com o índice e beta maior que 1 — anda junto, mas amplificado (o índice faz +1%, ele faz mais que isso). Pode ter correlação igualmente alta e beta menor que 1 — anda junto, mas amortecido. Mesma direção, tamanhos de passo diferentes. Para quem dimensiona posição, beta é o número que muda risco de verdade: exposição amplificada exige contrato menor ou stop mais largo, e as duas coisas mexem no seu tamanho de operação.
Agora a parte que preciso dizer com todas as letras, porque honestidade sobre o que o dado não mostra é o que separa estudo de propaganda: este estudo mediu correlação e peso no índice, não mediu beta. Calcular beta exige rodar a série de retornos de cada setorial contra a série de retornos do índice e estimar o coeficiente de sensibilidade. É o próximo passo do trabalho. Não existe nenhum valor de beta neste artigo, e se você vir alguém citando beta de setorial sem mostrar a regressão, desconfie.
O que é sazonalidade e por que ela engana tanto?
Sazonalidade é procurar padrão de calendário: mês bom, mês ruim, semana do mês, dia da semana, dia do mês. A pergunta é legítima. O problema é o método.
Sazonalidade é o terreno mais fértil que existe para se enganar sozinho, por um motivo aritmético: a série é curta em número de ciclos. Dez anos de Ibovespa parecem muita coisa — são 2.486 pregões. Mas quando você pergunta "como é janeiro?", você tem dez janeiros. Dez observações. Uma amostra de dez não sustenta decisão de dinheiro; sustenta conversa de mesa.
E tem o efeito do evento extremo. Março de 2020 fez −29,90%, o maior extremo da série. Com 2020 dentro, março aparece como o pior mês do ano, média de −1,88%. Sem 2020, março virou +1,24% e sobe para a metade de cima. Um único mês de dez inverte o sinal. Isso não é padrão, é uma pandemia sendo confundida com calendário.
Por que quanto mais fatias você corta, mais fácil achar padrão falso?
Essa é a espinha dorsal do estudo, então vou explicar uma vez e bem, sem fórmula.
Imagine que você joga uma moeda honesta dez vezes e quer "provar" que ela é viciada. Uma tentativa, difícil. Agora imagine que você faz isso 130 vezes, com 130 moedas honestas, e depois escolhe a moeda que deu o resultado mais estranho. Você vai encontrar uma que parece viciada. Não porque ela é. Porque você olhou 130 vezes.
Testar doze meses são doze chances de acaso. Testar 58 células de semana × mês são 58 chances. Testar 31 dias do mês são 31 chances. O padrão "mais forte" que aparece no fim não é o mais verdadeiro, é o mais sortudo do lote. Por isso o limiar de significância tem que apertar conforme o número de tentativas — é a correção de Bonferroni. Em vez de aceitar o clássico p < 0,05, você divide a exigência pelo número de células que examinou. Testou doze meses? A régua vira p < 0,0042. Testou 58 células? Vira p < 0,00086.
Traduzindo para trader: quanto mais você garimpa, mais alto tem que ser o padrão para você acreditar nele. Quem não faz essa correção acha edge em qualquer planilha.
Existe mês bom e mês ruim no Ibovespa?
Vamos aos números. A matriz abaixo mostra a variação de cada mês em cada um dos dez anos, e em seguida o teste de significância mês a mês, com o p-valor de cada um contra o limiar corrigido.
Preste atenção em dois candidatos. Janeiro, com média de +4,74%, foi o mês mais forte da amostra, e o p-valor dele deu 0,016. Julho, com +2,91%, deu p = 0,036. Isoladamente, os dois "passam" na régua frouxa de 5%. Com a correção pelas doze tentativas — limiar p < 0,0042 — os dois caem.
E olhe agosto para entender por que média sozinha não serve: média de +0,59% e mediana de −1,57%. Sinais opostos. São seis anos caindo e quatro subindo forte, e os quatro puxam a média para cima. Quem opera pela média está apostando em algo que aconteceu em menos da metade dos anos.
Variação mês a mês
Cada célula é a variação do mês, de fechamento a fechamento. Verde é alta, vinho é baixa — a intensidade acompanha a magnitude.
| ano | jan | fev | mar | abr | mai | jun | jul | ago | set | out | nov | dez |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 2016 | — | — | — | — | — | — | — | — | +0.80 | +11.23 | -4.65 | -2.71 |
| 2017 | +7.38 | +3.08 | -2.52 | +0.64 | -4.11 | +0.30 | +4.80 | +7.46 | +4.88 | +0.02 | -3.40 | +6.43 |
| 2018 | +11.14 | +0.52 | +0.01 | +0.88 | -10.87 | -5.20 | +8.87 | -3.21 | +3.48 | +10.18 | +2.38 | -1.81 |
| 2019 | +10.82 | -1.86 | -0.18 | +0.98 | +0.70 | +4.06 | +0.84 | -0.66 | +3.57 | +2.36 | +0.94 | +6.85 |
| 2020 | -1.63 | -8.43 | -29.90 | +10.25 | +8.57 | +8.76 | +8.26 | -3.44 | -4.80 | -0.69 | +15.90 | +9.30 |
| 2021 | -3.32 | -4.37 | +6.00 | +1.94 | +6.16 | +0.47 | -3.94 | -2.48 | -6.57 | -6.74 | -1.53 | +2.85 |
| 2022 | +6.99 | +0.89 | +6.06 | -10.10 | +3.22 | -11.50 | +4.69 | +6.16 | +0.47 | +5.45 | -3.06 | -2.45 |
| 2023 | +3.37 | -7.49 | -2.91 | +2.50 | +3.74 | +9.00 | +3.27 | -5.09 | +0.71 | -2.94 | +12.54 | +5.38 |
| 2024 | -4.79 | +0.99 | -0.71 | -1.70 | -3.04 | +1.48 | +3.02 | +6.54 | -3.08 | -1.60 | -3.12 | -4.29 |
| 2025 | +4.87 | -2.64 | +6.07 | +3.69 | +1.45 | +1.33 | -4.17 | +6.28 | +3.40 | +2.26 | +6.37 | +1.29 |
| 2026 | +12.56 | +4.09 | -0.70 | -0.08 | -7.22 | -1.01 | +3.47 | -5.66 | — | — | — | — |
Março de 2020 (−29,90%) é o extremo da série e distorce qualquer média que o inclua.
O mês é diferente de zero?
Doze meses testados significam doze chances de encontrar algo por acaso. O limiar corrigido exige p < 0,0042.
| mês | anos | média | mediana | acerto | t | p | veredito |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| jan | 10 | +4.74 | +5.93 | 70% | 2.40 | 0.0162 | não passa |
| fev | 10 | -1.52 | -0.67 | 50% | -1.14 | 0.2563 | não passa |
| mar | 10 | -1.88 | -0.44 | 40% | -0.57 | 0.5704 | não passa |
| abr | 10 | +0.90 | +0.93 | 70% | 0.57 | 0.5712 | não passa |
| mai | 10 | -0.14 | +1.08 | 60% | -0.07 | 0.9416 | não passa |
| jun | 10 | +0.77 | +0.90 | 70% | 0.40 | 0.6897 | não passa |
| jul | 10 | +2.91 | +3.37 | 80% | 2.10 | 0.0356 | não passa |
| ago | 10 | +0.59 | -1.57 | 40% | 0.35 | 0.7280 | não passa |
| set | 10 | +0.29 | +0.76 | 70% | 0.23 | 0.8152 | não passa |
| out | 10 | +1.96 | +1.14 | 60% | 1.09 | 0.2754 | não passa |
| nov | 10 | +2.24 | -0.29 | 50% | 0.99 | 0.3231 | não passa |
| dez | 10 | +2.09 | +2.07 | 60% | 1.38 | 0.1670 | não passa |
Janeiro (+4,74%, p=0,016) e julho (+2,91%, p=0,036) passam isoladamente e caem com a correção. Os outros dez não passam nem sozinhos. Com dez observações por mês, não há como separar sazonalidade de sorte.
E há duas armadilhas dentro dos números: março parecia o pior mês (−1,88%) mas vira +1,24% sem 2020 — o mês inteiro era um único evento. Agosto tem média +0,59% e mediana −1,57%: sinais opostos, porque seis anos caem e quatro sobem forte. Quem olhasse só a média concluiria o contrário do que acontece na maioria dos anos.
Veredito do mês: não dá para operar. Nenhum mês sobrevive à correção. E não é conservadorismo excessivo — é aritmética de amostra: são dez observações por mês, com um março de 2020 lá dentro capaz de virar o sinal de um mês inteiro sozinho.
Alguma semana do mês tem vantagem estatística?
Se o mês é uma fatia grossa, a semana do mês parece o refinamento óbvio. Aqui a convenção é fixa: s1 são os dias 1 a 7, s2 os dias 8 a 14, s3 os dias 15 a 21, s4 os dias 22 a 28 e s5 os dias 29 em diante.
Cruzando semana com mês, saem 58 células com dado suficiente. Cada célula tem, no melhor caso, dez observações — uma por ano. As doze tabelas a seguir mostram ano contra ano, semana por semana, e depois os rankings das células mais consistentes na alta e na baixa.
Alguns nomes vão te chamar a atenção. Janeiro semana 4 e dezembro semana 4 acertaram a direção em 8 de 10 anos. Fevereiro semana 4 fez o oposto: errou em 8 de 10 e perdeu 2,80% em média. Parece material de estratégia. Não é — a melhor célula de todas ficou em p = 0,0018, e o limiar corrigido para 58 tentativas é p < 0,00086. Perto, mas fora.
Semana a semana, ano contra ano
A primeira semana de janeiro de 2017 contra a de 2018, 2019, até 2026. Mesma semana, mesmo mês, anos diferentes — não a média de todas as primeiras semanas do ano.
| s1 | s2 | s3 | s4 | s5 | |
|---|---|---|---|---|---|
| 2017 | +2.39 | +3.22 | +1.37 | +2.34 | -2.06 |
| 2018 | +3.49 | +0.35 | +2.36 | +5.31 | -0.72 |
| 2019 | +4.34 | +3.03 | +1.63 | -0.59 | +2.04 |
| 2020 | +0.88 | +0.83 | -0.52 | -0.47 | -2.33 |
| 2021 | +2.83 | +0.89 | -4.17 | +0.47 | -3.21 |
| 2022 | -2.01 | +4.10 | +1.88 | +2.72 | +0.21 |
| 2023 | -0.70 | +1.79 | +1.01 | +0.25 | +0.99 |
| 2024 | -1.61 | -0.78 | -2.56 | +1.04 | -0.94 |
| 2025 | +0.73 | -1.54 | +3.39 | +0.58 | +1.68 |
| 2026 | +0.53 | +1.96 | +4.04 | +7.49 | -1.80 |
| pos. | 7/10 | 8/10 | 7/10 | 8/10 | 4/10 |
| s1 | s2 | s3 | s4 | s5 | |
|---|---|---|---|---|---|
| 2017 | -0.73 | +3.92 | +3.51 | -3.46 | — |
| 2018 | -2.53 | +0.94 | +3.00 | -0.81 | — |
| 2019 | -3.07 | +3.82 | -1.10 | -1.39 | — |
| 2020 | +0.01 | +0.54 | -0.61 | -8.36 | — |
| 2021 | +4.50 | -0.68 | -0.84 | -7.09 | — |
| 2022 | -0.13 | +1.70 | -1.91 | +1.27 | — |
| 2023 | -4.94 | +0.02 | +1.23 | -3.89 | — |
| 2024 | +1.72 | -2.26 | +2.37 | +0.10 | -0.87 |
| 2025 | -1.20 | +2.89 | -0.85 | -3.41 | — |
| 2026 | +0.87 | +1.92 | +2.18 | -0.92 | — |
| pos. | 4/10 | 8/10 | 5/10 | 2/10 | — |
| s1 | s2 | s3 | s4 | s5 | |
|---|---|---|---|---|---|
| 2017 | -1.38 | -1.59 | -2.66 | +2.64 | +0.53 |
| 2018 | +0.15 | +0.66 | -1.25 | -1.30 | +1.78 |
| 2019 | -1.30 | +4.52 | -1.90 | -2.42 | +1.09 |
| 2020 | -5.93 | -15.63 | -18.88 | +9.48 | -0.56 |
| 2021 | +4.70 | -0.90 | +1.80 | -1.24 | +1.62 |
| 2022 | -1.37 | -1.49 | +5.66 | +2.22 | +1.06 |
| 2023 | -0.67 | -1.24 | -1.88 | +0.19 | +0.69 |
| 2024 | -0.53 | -0.51 | +0.37 | -0.04 | — |
| 2025 | +1.82 | +3.14 | +2.63 | -0.33 | -1.25 |
| 2026 | -4.99 | -0.95 | -0.81 | +3.03 | +3.25 |
| pos. | 3/10 | 3/10 | 4/10 | 5/10 | 7/9 |
| s1 | s2 | s3 | s4 | s5 | |
|---|---|---|---|---|---|
| 2017 | -0.60 | -2.74 | +1.49 | +2.58 | — |
| 2018 | -0.64 | -0.57 | +1.44 | +1.05 | -0.38 |
| 2019 | +1.78 | -4.36 | +1.83 | +1.75 | +0.12 |
| 2020 | +4.57 | +4.66 | -1.18 | +2.96 | -0.99 |
| 2021 | +0.85 | +2.27 | -0.19 | +0.82 | -1.78 |
| 2022 | -0.95 | -2.25 | -1.58 | -3.87 | -1.86 |
| 2023 | -1.04 | +5.41 | -1.80 | +0.06 | — |
| 2024 | -1.02 | -0.67 | -0.65 | +1.12 | -0.48 |
| 2025 | -3.59 | +3.08 | +0.15 | +4.14 | +0.04 |
| 2026 | +0.43 | +5.52 | -1.27 | -3.83 | -0.69 |
| pos. | 4/10 | 5/10 | 4/10 | 8/10 | 2/8 |
| s1 | s2 | s3 | s4 | s5 | |
|---|---|---|---|---|---|
| 2017 | +0.47 | +3.82 | -8.18 | +2.31 | -2.14 |
| 2018 | -3.95 | +3.04 | -4.01 | -7.89 | +1.86 |
| 2019 | -2.04 | -2.43 | +2.60 | +2.02 | +0.66 |
| 2020 | -2.96 | +1.14 | +5.08 | +4.72 | +0.52 |
| 2021 | +2.64 | -0.13 | +0.58 | +2.42 | +0.52 |
| 2022 | -2.54 | +1.70 | +1.46 | +3.18 | -0.53 |
| 2023 | +0.69 | +3.15 | +2.10 | +0.15 | -2.32 |
| 2024 | +2.61 | -0.54 | -0.86 | -2.85 | -1.36 |
| 2025 | -1.24 | +3.77 | -0.39 | +0.73 | -1.34 |
| 2026 | -2.19 | -2.65 | -0.40 | -1.46 | -0.73 |
| pos. | 4/10 | 6/10 | 5/10 | 7/10 | 4/10 |
| s1 | s2 | s3 | s4 | s5 | |
|---|---|---|---|---|---|
| 2017 | +0.73 | -1.98 | -1.87 | +2.07 | +1.42 |
| 2018 | -3.78 | -3.29 | -1.88 | +2.41 | +1.39 |
| 2019 | +0.82 | +0.22 | +4.05 | -1.03 | — |
| 2020 | +8.28 | -1.95 | +4.07 | -2.84 | +1.30 |
| 2021 | +3.61 | -0.43 | -0.72 | -1.42 | -0.49 |
| 2022 | -1.15 | -7.27 | -2.33 | +0.91 | -2.04 |
| 2023 | +6.60 | +3.10 | +1.13 | -3.10 | +1.20 |
| 2024 | -1.09 | -0.91 | +1.40 | +2.11 | — |
| 2025 | -0.67 | +0.82 | -0.07 | -0.18 | +1.45 |
| 2026 | -2.74 | +1.25 | -1.64 | +2.95 | -0.73 |
| pos. | 5/10 | 4/10 | 4/10 | 5/10 | 5/8 |
| s1 | s2 | s3 | s4 | s5 | |
|---|---|---|---|---|---|
| 2017 | -0.92 | +5.00 | -1.15 | +1.26 | +0.65 |
| 2018 | +3.09 | +2.12 | +2.58 | +1.65 | -0.81 |
| 2019 | +3.09 | -0.18 | -0.44 | -0.61 | -0.98 |
| 2020 | +2.85 | +2.74 | +3.85 | -0.19 | -1.15 |
| 2021 | +0.17 | +1.09 | -1.93 | +0.28 | -3.55 |
| 2022 | +2.22 | -4.58 | +3.03 | +3.60 | +0.55 |
| 2023 | +0.69 | -1.00 | +2.13 | -0.02 | +1.46 |
| 2024 | +1.91 | +2.08 | -0.99 | -0.10 | +0.13 |
| 2025 | +0.46 | -3.00 | -0.84 | -1.52 | +0.71 |
| 2026 | 0 | +2.69 | -1.88 | +1.87 | +0.81 |
| pos. | 8/10 | 6/10 | 4/10 | 5/10 | 6/10 |
| s1 | s2 | s3 | s4 | s5 | |
|---|---|---|---|---|---|
| 2016 | — | — | -0.08 | -2.34 | +0.32 |
| 2017 | +3.06 | +0.51 | +0.51 | +3.47 | -0.26 |
| 2018 | +1.42 | -2.17 | -4.35 | +3.05 | -1.03 |
| 2019 | +0.95 | -2.46 | +0.94 | -2.97 | +3.00 |
| 2020 | -0.13 | -1.38 | +0.16 | +0.61 | -2.72 |
| 2021 | +0.83 | -1.32 | -2.59 | +2.22 | -1.57 |
| 2022 | +3.21 | +5.91 | -1.12 | +0.72 | -2.47 |
| 2023 | -2.10 | -2.15 | -2.04 | +2.35 | -1.18 |
| 2024 | -0.11 | +4.55 | +2.36 | +0.64 | -0.98 |
| 2025 | +2.60 | -0.13 | -1.35 | +4.86 | +0.27 |
| 2026 | -3.08 | -3.23 | +0.59 | — | — |
| pos. | 6/10 | 3/10 | 5/11 | 8/10 | 3/10 |
| s1 | s2 | s3 | s4 | s5 | |
|---|---|---|---|---|---|
| 2016 | +3.85 | -5.11 | +2.34 | +1.65 | -1.67 |
| 2017 | +3.64 | +1.70 | +1.27 | -2.69 | +0.99 |
| 2018 | -0.34 | -1.29 | +5.32 | -0.13 | — |
| 2019 | +1.78 | +0.55 | +1.27 | +0.25 | -0.32 |
| 2020 | +1.88 | -0.96 | -3.27 | -2.40 | -0.07 |
| 2021 | -0.77 | -1.43 | -5.10 | -0.11 | +0.78 |
| 2022 | +0.22 | +0.71 | +1.26 | -3.11 | +1.46 |
| 2023 | +0.21 | +2.94 | -2.72 | -0.36 | +0.72 |
| 2024 | -1.05 | +0.23 | -2.83 | +1.27 | -0.69 |
| 2025 | +0.86 | -0.26 | +2.53 | -0.29 | +0.54 |
| pos. | 7/10 | 5/10 | 6/10 | 3/10 | 5/9 |
| s1 | s2 | s3 | s4 | s5 | |
|---|---|---|---|---|---|
| 2016 | +4.70 | +1.08 | +3.79 | +0.31 | +0.96 |
| 2017 | +2.37 | +1.23 | -0.78 | -0.54 | -2.19 |
| 2018 | +3.75 | +0.73 | +1.57 | +1.78 | +1.99 |
| 2019 | -3.98 | +3.71 | +1.65 | +2.04 | -0.89 |
| 2020 | +0.97 | +3.99 | +1.23 | -5.16 | -1.48 |
| 2021 | -0.36 | +2.35 | -4.82 | -1.88 | -2.09 |
| 2022 | +5.76 | -3.70 | +7.01 | -4.49 | +1.31 |
| 2023 | -2.06 | +1.39 | -2.25 | +0.13 | -0.14 |
| 2024 | +0.15 | -0.77 | -0.49 | +0.65 | -1.14 |
| 2025 | -3.34 | +0.23 | +1.70 | +2.32 | +1.43 |
| pos. | 6/10 | 8/10 | 6/10 | 6/10 | 4/10 |
| s1 | s2 | s3 | s4 | s5 | |
|---|---|---|---|---|---|
| 2016 | -1.34 | -6.86 | +2.37 | +2.92 | -1.51 |
| 2017 | -2.55 | -2.19 | +5.32 | -0.61 | -3.18 |
| 2018 | +0.33 | -1.99 | +1.51 | +2.27 | +0.28 |
| 2019 | +2.20 | -2.76 | +0.88 | +0.74 | -0.05 |
| 2020 | +7.42 | +3.76 | +1.26 | +4.27 | -1.52 |
| 2021 | +1.28 | +1.44 | -3.10 | -0.79 | -0.30 |
| 2022 | -0.60 | -1.89 | -3.02 | -0.88 | +3.40 |
| 2023 | +5.41 | +3.27 | +2.00 | +0.73 | +0.63 |
| 2024 | -0.02 | -1.46 | -0.68 | -1.82 | +0.85 |
| 2025 | +3.03 | +2.38 | -1.88 | +2.78 | — |
| pos. | 6/10 | 4/10 | 6/10 | 6/10 | 4/9 |
| s1 | s2 | s3 | s4 | s5 | |
|---|---|---|---|---|---|
| 2016 | -0.79 | -5.21 | -0.97 | +3.70 | +0.74 |
| 2017 | +0.98 | -0.08 | +3.73 | +1.69 | — |
| 2018 | -1.55 | -0.76 | -2.00 | +2.56 | — |
| 2019 | +2.67 | +1.29 | +2.27 | +1.23 | -0.76 |
| 2020 | +4.31 | +0.90 | +1.06 | +2.85 | -0.09 |
| 2021 | +5.54 | -0.74 | -1.18 | -0.60 | -0.04 |
| 2022 | -3.04 | -4.88 | +3.55 | +2.61 | -0.46 |
| 2023 | -1.04 | +3.84 | +1.02 | +1.52 | — |
| 2024 | +0.22 | -1.06 | -2.02 | -1.50 | +0.01 |
| 2025 | -1.07 | +2.16 | -1.43 | +1.53 | +0.14 |
| pos. | 5/10 | 4/10 | 5/10 | 8/10 | 3/7 |
s1 = dias 1–7 · s2 = 8–14 · s3 = 15–21 · s4 = 22–28 · s5 = 29+. A linha inferior conta em quantos anos aquela semana fechou positiva.
Mais consistentes na alta
| célula | positivos | acerto | média | mediana | t | p |
|---|---|---|---|---|---|---|
| jan sem4 | 8/10 | 80% | +1.92 | +0.81 | 2.29 | 0.0219 |
| dez sem4 | 8/10 | 80% | +1.56 | +1.61 | 3.11 | 0.0018 |
| jan sem2 | 8/10 | 80% | +1.38 | +1.34 | 2.45 | 0.0143 |
| jul sem1 | 8/10 | 80% | +1.35 | +1.30 | 2.95 | 0.0032 |
| fev sem2 | 8/10 | 80% | +1.28 | +1.32 | 2.05 | 0.0405 |
| ago sem4 | 8/10 | 80% | +1.26 | +1.47 | 1.61 | 0.1069 |
| out sem2 | 8/10 | 80% | +1.02 | +1.15 | 1.46 | 0.1439 |
| abr sem4 | 8/10 | 80% | +0.68 | +1.08 | 0.81 | 0.4201 |
| mar sem5 | 7/9 | 78% | +0.91 | +1.06 | 2.09 | 0.0370 |
| jan sem1 | 7/10 | 70% | +1.09 | +0.81 | 1.60 | 0.1100 |
| set sem1 | 7/10 | 70% | +1.03 | +0.54 | 1.88 | 0.0598 |
| jan sem3 | 7/10 | 70% | +0.84 | +1.50 | 1.04 | 0.3002 |
Mais consistentes na baixa
| célula | positivos | acerto | média | mediana | t | p |
|---|---|---|---|---|---|---|
| fev sem4 | 2/10 | 20% | -2.80 | -2.40 | -2.86 | 0.0042 |
| abr sem5 | 2/8 | 25% | -0.75 | -0.58 | -2.83 | 0.0046 |
| mar sem2 | 3/10 | 30% | -1.40 | -0.93 | -0.82 | 0.4136 |
| mar sem1 | 3/10 | 30% | -0.95 | -0.99 | -0.99 | 0.3214 |
| ago sem5 | 3/10 | 30% | -0.66 | -1.00 | -1.28 | 0.2019 |
| set sem4 | 3/10 | 30% | -0.59 | -0.21 | -1.15 | 0.2497 |
| ago sem2 | 3/10 | 30% | -0.19 | -1.35 | -0.19 | 0.8474 |
| mar sem3 | 4/10 | 40% | -1.69 | -1.03 | -0.82 | 0.4146 |
Janeiro sem4 e dezembro sem4 acertam 8 de 10; fevereiro sem4 erra 8 de 10 e perde 2,80% em média. Parece forte. Mas olhando 58 células o limiar vira p < 0,00086, e a melhor delas fica em p=0,0018.
Veredito da semana do mês: não dá. Nenhuma das 58 células foi aprovada. E o teste da próxima seção mostra, de forma bem visual, por que 8 acertos em 10 anos é um número muito menos impressionante do que parece.
Como saber se o padrão é só sorte? O teste de embaralhamento
Esse é o teste que eu mais gosto, porque ele responde à pergunta certa. Em vez de perguntar "esse padrão é forte?", ele pergunta: quão forte ficaria o melhor padrão se não existisse padrão nenhum?
O procedimento é direto. Peguei os retornos diários reais do Ibovespa e embaralhei a ordem 2.000 vezes. Embaralhar destrói qualquer sazonalidade verdadeira: o retorno que era de uma terça de janeiro pode cair numa sexta de agosto. Sobra o mesmo conjunto de retornos, sem calendário nenhum. Depois, em cada uma das 2.000 séries embaralhadas, procurei a melhor célula de semana × mês — exatamente como fiz na série real.
O que apareceu é a lição inteira do estudo em um número. Em dados completamente aleatórios, a melhor célula acerta tipicamente 90% das vezes (mediana). No percentil 90 e no máximo, acerta 100%. Ou seja: ruído puro produz rotineiramente "padrões" com 9 ou 10 acertos em 10 anos.
Quanto disso o acaso produz sozinho
Embaralhei os retornos 2,000 vezes, destruindo qualquer sazonalidade real, e medi qual era a melhor célula em cada embaralhamento.
Em dados completamente aleatórios, a melhor célula acerta tipicamente 90%. A série real acerta 80% — e fica acima de apenas 0.1% dos embaralhamentos.
Com 58 células de 10 observações, alguma vai dar 9 de 10 por sorte. Não é sinal, é o número de tentativas. Toda a granularidade fina — semana do mês, dia do mês, semana do ano — morre aqui.
E a série real? A melhor célula dela acerta 80% — e fica acima de apenas 0,1% dos embaralhamentos. Traduzindo sem anestesia: o "melhor padrão sazonal do Ibovespa" é pior do que o que o acaso entrega na maioria das simulações. Se alguém te vende uma célula de calendário com 8 de 10 acertos, você já sabe onde ela se encaixa nessa distribuição.
A terça-feira é realmente o melhor dia para operar índice?
Este achado caiu. Ao repetir o teste no mini índice, a terça-feira não aparece — e a razão é que o efeito vinha inteiramente de 2016 a 2021. Na metade recente da série ele desaparece nos dois ativos: no Ibovespa de 2021 a 2026 a terça dá +0,088% (p = 0,1959) e no WIN, +0,054% (p = 0,4612). O contrato começa em 2021 e funcionou, por acidente, como janela de validação fora da amostra. Mantenho a seção abaixo como estava, com os números que a sustentavam, porque a lição é essa: t = 3,61 sobre dez anos escondia um efeito que só existia na primeira metade. Significância estatística não garante estabilidade no tempo. Os números da revisão estão no estudo de exaustão de movimento no mini índice.
Aqui a história muda, e muda por um motivo estrutural: dia da semana são só cinco fatias, e cada fatia tem centenas de observações. Menos garimpo, mais amostra. É o oposto da célula de semana × mês.
A terça-feira do Ibovespa tem 497 observações na série, com média de +0,210% ao dia. O t deu 3,61 e o p-valor, 0,0003. Passa com a correção de Bonferroni. Não é o único ponto a favor: a terça foi positiva em 9 dos 10 anos e positiva nas cinco semanas do mês. Consistência no tempo e dentro do mês, não um ano puxando tudo.
Agora a parte que ninguém coloca no story. O desvio-padrão da terça é de 1,31%. Guarde os dois números juntos: efeito médio de +0,210%, dispersão de 1,31%. O efeito é seis vezes menor que o barulho do dia. Isso é um viés de direção, não uma estratégia pronta.
Terça-feira
O único padrão que sobrevive a tudo — e sobrevive pelos motivos certos.
| dia | observações | média | acerto | t | p | veredito |
|---|---|---|---|---|---|---|
| segunda | 496 | +0.030 | 52.6% | 0.36 | 0.7173 | não |
| terca | 497 | +0.210 | 53.7% | 3.61 | 0.0003 | passa |
| quarta | 502 | +0.070 | 53.6% | 1.11 | 0.2653 | não |
| quinta | 498 | -0.040 | 51.6% | -0.56 | 0.5739 | não |
| sexta | 493 | -0.010 | 50.5% | -0.18 | 0.8602 | não |
Estabilidade ano a ano
| ano | segunda | terça | quarta | quinta | sexta |
|---|---|---|---|---|---|
| 2016 | +0.502 | -0.073 | +0.358 | -0.485 | -0.091 |
| 2017 | +0.234 | +0.291 | +0.105 | -0.389 | +0.264 |
| 2018 | -0.193 | +0.355 | +0.126 | -0.135 | +0.181 |
| 2019 | -0.073 | +0.187 | +0.071 | +0.356 | +0.044 |
| 2020 | -0.047 | +0.892 | -0.064 | -0.248 | -0.280 |
| 2021 | -0.005 | -0.156 | +0.040 | -0.019 | -0.081 |
| 2022 | -0.194 | +0.077 | +0.113 | +0.118 | +0.026 |
| 2023 | +0.009 | +0.139 | +0.132 | +0.085 | +0.066 |
| 2024 | +0.100 | +0.130 | -0.117 | -0.191 | -0.125 |
| 2025 | +0.134 | +0.153 | +0.148 | +0.241 | -0.060 |
| 2026 | +0.153 | +0.131 | +0.042 | +0.006 | -0.169 |
Dia da semana × semana do mês
| sem 1 | sem 2 | sem 3 | sem 4 | sem 5 | |
|---|---|---|---|---|---|
| segunda | +0.079 | +0.011 | +0.059 | -0.007 | -0.087 |
| terca | +0.172 | +0.204 | +0.207 | +0.355 | -0.035 |
| quarta | +0.092 | +0.101 | +0.009 | +0.088 | +0.046 |
| quinta | +0.023 | -0.214 | -0.146 | +0.185 | -0.023 |
| sexta | +0.151 | +0.132 | -0.026 | -0.186 | -0.370 |
A linha da terça é a única positiva nas cinco semanas do mês.
497 observações, não dez. Média de +0.210% ao dia, t = 3.61, p = 0.0003 — passa com correção. Positiva em 9 dos 10 anos e positiva em todas as semanas do mês.
A diferença entre isto e as células de semana é só uma: amostra. Quinhentas observações contra dez.
O tamanho é modesto e precisa ser dito: +0,22% com desvio de 1,31% é viés de direção, não estratégia pronta. No mini índice, os ~15 pontos de custo por operação consomem parte relevante disso.
Veredito da terça: sobrevive, mas é viés, não setup. No mini índice, os cerca de 15 pontos de custo por operação consomem uma parte relevante de um efeito desse tamanho — e custo varia conforme a corretora, então cheque o seu antes de qualquer conta. O uso honesto é como filtro: se o seu sistema já tem entrada e saída definidas, a terça pode ser o dia em que você aceita operar o lado comprado com um pouco menos de resistência. Não é motivo para comprar na abertura e esperar.
Quais setores puxam o Ibovespa? O cruzamento de peso e correlação
Se calendário quase não entrega nada, o caminho natural é olhar composição. A ideia é intuitiva: se você souber qual setor manda no índice, você acompanha aquele setor e antecipa o índice.
Cruzei o peso de cada índice setorial no Ibovespa com a correlação diária dele contra o índice, usando as composições oficiais da B3. Duas coisas saltam. IMAT, de Materiais Básicos, pesa 15,53% — peso alto — e tem a menor correlação de todas, 0,667. É VALE3, GGBR4, SUZB3: minério, aço e celulose, pautados por China e dólar. IMOB, no outro extremo de peso, vale 1,79% e correlaciona 0,771.
Vale registrar uma limitação de dados que muita gente ignora: a B3 não tem um índice de commodities. O IMAT é o mais próximo disso, e ele deixa a Petrobras de fora — sendo que PETR3 e PETR4 somam 13,1% do Ibovespa. Ou seja, o "termômetro de commodities" mais óbvio da bolsa brasileira não inclui a maior empresa de commodity do país.
Os setoriais contra o índice
Quanto cada setorial pesa dentro do Ibovespa e o quanto ele anda junto. São coisas diferentes.
| índice | setor | peso no IBOV | correlação | 2 anos | beta | vol. anual |
|---|---|---|---|---|---|---|
| IBXX | IBrX 100 | 100.00% | 0.999 | 1.000 | 1.00 | 17.6% |
| MLCX | MidLarge Cap | 91.30% | 0.996 | 0.997 | 0.97 | 17.2% |
| IDIV | Dividendos | 57.15% | 0.940 | 0.966 | 0.86 | 16.2% |
| IFNC | Financeiro | 22.78% | 0.876 | 0.911 | 1.12 | 22.5% |
| SMLL | Small Cap | 8.70% | 0.868 | 0.906 | 1.17 | 23.7% |
| ICON | Consumo | 11.06% | 0.839 | 0.874 | 1.15 | 24.2% |
| INDX | Industrial | 14.41% | 0.810 | 0.787 | 0.80 | 17.5% |
| UTIL | Utilidade Publica | 17.42% | 0.788 | 0.866 | 0.88 | 19.7% |
| IEEX | Energia Eletrica | 13.72% | 0.771 | 0.854 | 0.76 | 17.5% |
| IMOB | Imobiliario | 1.79% | 0.771 | 0.824 | 1.29 | 29.6% |
| IMAT | Materiais Basicos | 15.53% | 0.667 | 0.686 | 0.84 | 22.1% |
Peso = soma da participação, no Ibovespa, dos papéis que o setorial contém. Composições da API oficial da B3.
O IMAT prova. Materiais Básicos pesa 15,53% — mais que o Consumo — e tem a menor correlação de todas: 0,667. É VALE3, GGBR4, SUZB3: minério e celulose seguem China e dólar, não o humor da bolsa brasileira. É o índice mais independente, e por isso o mais informativo.
O oposto é o IMOB: pesa 1,79%, quase nada, mas correlaciona 0,771. Ele não move o índice — é movido pelas mesmas forças.
IBXX (0,999) e MLCX (0,996) são o Ibovespa com outro nome. Não servem como sinal, são redundância.
A B3 não tem índice de commodities. O IMAT é o mais próximo e deixa a Petrobras de fora — PETR3 e PETR4 sozinhas somam 13,1% do índice.
E os índices que colam em 0,999 e 0,996 (IBXX e MLCX) não são descoberta: são o Ibovespa com outro nome. Peso alto com correlação baixa, como no IMAT, é a única combinação interessante da tabela — porque indica um pedaço grande do índice movido por fatores próprios.
Algum setorial antecipa o Ibovespa? E o mini índice antecipa o à vista?
Correlação no mesmo dia não serve para operar, por um motivo bobo de tão óbvio: quando você sabe o número do setorial, o pregão já acabou e o índice já fez o que tinha que fazer. O que interessa é defasagem — o setorial de hoje diz algo sobre o índice de amanhã?
Testei. No mesmo dia, as correlações vão de 0,667 a 0,999. Defasadas de um dia, caem para uma faixa entre −0,066 e +0,025. Isso é zero. Na semana, o mesmo nada. O motivo é estrutural e vale internalizar: os setoriais são recortes das mesmas ações que formam o Ibovespa. Um recorte não antecipa o todo — ele é o todo, em fatia.
Aí eu mudei a lente e desci para o minuto. Casei 541.562 minutos entre o mini índice (WIN) e o Ibovespa à vista, de 2021 a 2026. E apareceu algo real: o WIN de um minuto atrás correlaciona 0,4463 com o Ibovespa de agora — mais forte que a correlação simultânea, que é 0,4389. O caminho inverso não existe: Ibovespa de um minuto atrás contra WIN dá −0,0117.
O sinal do WIN defasado explica 19,92% da variação do minuto seguinte do à vista. Na defasagem de dois minutos, cai para −0,0001: o efeito dura um minuto e some.
Dá para antecipar?
Correlação no mesmo dia não antecipa nada: diz que dois ativos se movem juntos, não que um avisa o outro. O que antecipa é correlação defasada.
| índice | mesmo dia | defasado 1 dia | defasado 1 semana | veredito |
|---|---|---|---|---|
| IFNC | 0.876 | -0.025 | +0.112 | não antecipa |
| ICON | 0.839 | -0.020 | +0.009 | não antecipa |
| IMAT | 0.667 | +0.025 | -0.067 | não antecipa |
| INDX | 0.810 | +0.002 | +0.022 | não antecipa |
| UTIL | 0.788 | -0.050 | +0.046 | não antecipa |
| IMOB | 0.771 | -0.045 | +0.072 | não antecipa |
| IEEX | 0.771 | -0.066 | +0.030 | não antecipa |
| SMLL | 0.868 | -0.026 | +0.022 | não antecipa |
| MLCX | 0.996 | +0.002 | +0.041 | não antecipa |
| IDIV | 0.940 | -0.022 | +0.026 | não antecipa |
| IBXX | 0.999 | -0.001 | +0.037 | não antecipa |
Correlação no mesmo dia entre 0,667 e 0,999. Defasada de um dia: entre −0,066 e +0,025 — zero. Na semana, o mesmo.
É consequência da construção: os setoriais são recortes das mesmas ações. Quando ITUB4 sobe, IFNC e IBOV sobem no mesmo segundo. Não há informação nova.
O que de fato antecipa: o futuro contra o à vista
541.562 minutos casados entre o mini índice (WIN) e o Ibovespa à vista, de 2021 a 2026.
| defasagem | correlação | t |
|---|---|---|
| IBOV ha 5 min | -0.0041 | -3.0 |
| IBOV ha 4 min | 0.0021 | 1.6 |
| IBOV ha 3 min | 0.0012 | 0.9 |
| IBOV ha 2 min | 0.0003 | 0.2 |
| IBOV ha 1 min | -0.0117 | -8.6 |
| simultaneo | 0.4389 | 359.4 |
| WIN ha 1 min | 0.4463 | 367.0 |
| WIN ha 2 min | -0.0001 | -0.1 |
| WIN ha 3 min | 0.0026 | 1.9 |
| WIN ha 4 min | -0.0007 | -0.5 |
| WIN ha 5 min | 0.0036 | 2.7 |
O WIN de um minuto atrás correlaciona 0,4463 com o Ibovespa de agora — mais forte que a correlação simultânea (0,4389). O inverso não existe: o Ibovespa de um minuto atrás contra o WIN dá −0,0117.
O sinal explica 19,92% da variação do minuto seguinte. Na defasagem de dois minutos, cai para −0,0001: o efeito dura exatamente um minuto e some.
Faz sentido econômico. O futuro é onde o dinheiro rápido opera; o índice à vista é recalculado a partir das ações e vem atrás.
Veredito dos setoriais: não antecipam nada. Correlação no mesmo dia é redundância, não sinal. Veredito do mini índice contra o à vista: aqui existe efeito real — e faz sentido econômico, porque o futuro é onde o dinheiro grande precifica primeiro e o à vista corre atrás. O que não dá é para "operar o Ibovespa": o índice à vista não é negociável. O caminho prático é outro e é o próximo estudo: medir se o WIN antecipa também as ações que compõem o índice, que essas sim têm book.
Ressalva obrigatória, e ela é grande: a janela é de um minuto. E o slippage medido no WIN chega a 95 pontos na abertura. Um efeito que vive um minuto e uma execução que pode te custar 95 pontos de derrapagem não combinam sem estudo de custo feito com cuidado. Sem medir isso, o edge estatístico virou despesa.
O que sobrou de mais de 130 hipóteses testadas?
Vamos juntar a conta. Doze meses, cinco semanas do mês, 58 células cruzadas, 52 semanas do ano, 31 dias do mês, cinco dias da semana e onze índices setoriais. Mais de 130 hipóteses testadas sobre a mesma série de dez anos.
Duas sobreviveram: a terça-feira e o mini índice antecipando o à vista em um minuto. É uma taxa de aproveitamento baixa, e é exatamente isso que dá credibilidade ao estudo. Estudo que aprova tudo o que testa não testou nada.
O que fazer com isso
De mais de 130 hipóteses testadas — doze meses, cinco semanas do mês, 58 células cruzadas, 52 semanas do ano, 31 dias do mês, cinco dias da semana e onze índices setoriais — duas sobrevivem.
Terça-feira, com 497 observações e estabilidade em 9 de 10 anos. E o mini índice antecipando o à vista em um minuto, com meio milhão de observações.
As duas têm a mesma assinatura: amostra grande, efeito pequeno, mecanismo plausível. É o oposto do que a garimpagem produz — efeito enorme, amostra minúscula, nenhuma explicação.
O caminho prático do segundo achado não é operar o Ibovespa, que não é negociável. É medir se o WIN antecipa também as ações que compõem o índice — aí existe trade. Com a ressalva de que a janela é de um minuto, e o slippage medido no WIN chega a 95 pontos na abertura.
Repare no padrão do que passou. As duas sobreviventes têm amostra grande (497 dias e 541.562 minutos), efeito pequeno e um mecanismo que se explica. As reprovadas têm amostra de dez, efeito grande e nenhuma explicação além de "foi assim nos últimos anos".
Conclusão: o que separa um padrão real de um padrão garimpado
Se você levar uma única régua deste artigo, leve esta. Padrão real tem três marcas: amostra grande, efeito pequeno e mecanismo que se explica. Padrão garimpado é o contrário: amostra minúscula, efeito espetacular e nenhuma razão para existir além da coincidência de calendário.
E o que você faz com isso agora, na prática de quem opera dólar, índice e mini contratos:
- Pare de "confirmar" com ativos correlacionados. Correlação de 0,996 não te dá segunda opinião, te dá eco. Se dois gráficos seus andam juntos, você tem um gráfico.
- Antes de acreditar em qualquer sazonalidade, conte quantas tentativas foram feitas. Doze meses são doze chances de sorte. Aperte a régua na proporção do garimpo.
- Trate a terça como viés de direção, não como setup. Efeito de +0,210% com desvio de 1,31% e custo de operação por cima não sustenta entrada sozinho. Serve como filtro dentro de um sistema que já tem entrada, stop e saída definidos.
- Meça antes de operar. Rode o teste na sua própria série, com os seus custos reais de corretora. Se o efeito não sobrevive ao custo, ele não existe para você.
- Risco vem primeiro. Nenhum estudo dispensa dimensionamento de posição pelo stop e limite de perda por operação — o princípio de arriscar uma fração pequena e fixa do capital de risco por operação continua valendo mesmo com o dado a favor. Se quiser aprofundar, veja o guia de gerenciamento de risco no day trade.
O próximo passo deste trabalho já está definido e eu prefiro anunciar do que fingir que já tenho: calcular o beta de cada setorial contra o Ibovespa, com a série de retornos, e testar se o WIN antecipa as ações individuais que compõem o índice na janela de um minuto. Quando sair, publico com o número na mesa, como neste.
Análise ao vivo de entrada, gestão de risco e saída, com estudos como esse aplicados no pregão, é o que eu mostro no canal do YouTube Altino Junior e dentro do Sistema Quant. Os dados superam o achismo no pregão — mas só quando você é duro com os seus próprios dados.
Conteúdo educacional e estatístico. Não é recomendação de investimento. Day trade é atividade de risco e a maioria dos participantes perde dinheiro; resultados passados não garantem resultados futuros. Custos, margens e taxas variam conforme a corretora e a volatilidade — consulte sempre as informações oficiais da sua corretora e da B3.
Quer operar com dados em vez de achismo?
O Sistema Quant une inteligência artificial e análise quantitativa para você estudar o mercado com método. Acompanhe as aulas gratuitas no canal Altino Junior e o dia a dia no Instagram @altino_junior e @sistemaquant.
Perguntas frequentes
Existe um mês historicamente melhor para operar o Ibovespa?
No meu estudo com 2.486 pregões (16/08/2016 a 20/08/2026), nenhum mês sobreviveu ao teste estatístico com correção de Bonferroni, cujo limiar para doze tentativas é p < 0,0042. Janeiro (+4,74%, p=0,016) e julho (+2,91%, p=0,036) passariam numa régua frouxa de 5%, mas caem quando se corrige pelo número de meses testados. Além disso, cada mês tem apenas dez observações em dez anos, e um único evento extremo distorce tudo: março de 2020 fez −29,90% e, sem esse ano, março sai de −1,88% para +1,24%.
Qual a diferença entre correlação e beta?
Correlação mede se dois ativos andam juntos, numa escala de −1 a +1. Beta mede o quanto um ativo anda quando o outro anda 1%. São coisas diferentes: um setorial pode ter correlação alta com o índice e beta maior que 1 (anda junto, mas amplificado) ou beta menor que 1 (anda junto, mas amortecido). Importante: o estudo apresentado aqui mediu correlação e peso no índice, não mediu beta. Calcular beta exige rodar a série de retornos de cada setorial contra a do índice — é o próximo passo do trabalho.
A terça-feira é o melhor dia para operar índice?
É o único dia da semana que sobreviveu ao teste no meu estudo: 497 observações, média de +0,210% ao dia, t = 3,61 e p = 0,0003, passando com a correção de Bonferroni. Foi positiva em 9 dos 10 anos e nas cinco semanas do mês. Mas o desvio-padrão é de 1,31%, seis vezes maior que o efeito médio — ou seja, é um viés de direção, não uma estratégia pronta. No mini índice, os cerca de 15 pontos de custo por operação consomem parte relevante desse efeito, e o custo varia conforme a corretora.
Algum índice setorial da B3 antecipa o Ibovespa?
Não. No mesmo dia, as correlações dos setoriais com o Ibovespa vão de 0,667 (IMAT) a 0,999 (IBXX). Defasadas de um dia, caem para a faixa entre −0,066 e +0,025 — praticamente zero — e na semana o resultado é o mesmo. O motivo é estrutural: os setoriais são recortes das mesmas ações que compõem o Ibovespa, então não antecipam o índice, eles são o índice em fatias. Correlação no mesmo dia é redundância, não sinal.
O mini índice antecipa o Ibovespa à vista?
Sim, e por uma janela muito curta. Casando 541.562 minutos entre o WIN e o Ibovespa à vista de 2021 a 2026, o mini índice de um minuto atrás correlaciona 0,4463 com o à vista de agora — mais forte que a correlação simultânea (0,4389) — e explica 19,92% da variação do minuto seguinte. O inverso não existe (−0,0117) e na defasagem de dois minutos o efeito desaparece (−0,0001). Como o Ibovespa à vista não é negociável, o uso prático passa por testar se o WIN também antecipa as ações do índice. Ressalva: o slippage medido no WIN chega a 95 pontos na abertura.
Por que padrões de calendário com 8 acertos em 10 anos não valem nada?
Porque o acaso produz isso rotineiramente. Eu embaralhei os retornos diários do Ibovespa 2.000 vezes, destruindo qualquer sazonalidade real, e procurei a melhor célula de semana × mês em cada série aleatória. Em dado completamente aleatório, a melhor célula acerta tipicamente 90% das vezes (mediana) e chega a 100% no percentil 90 e no máximo. A melhor célula da série real acerta 80% e fica acima de apenas 0,1% dos embaralhamentos — ou seja, é pior do que o acaso entrega na maioria das simulações.
Conteúdo educacional e estatístico, não é recomendação de investimento. Day trade envolve risco real de perda. Toda decisão exige gestão de risco, estudo dos dados e disciplina.